quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Aquela velha infância.

Chega um momento em que você percebe que não pode mais assistir á sessão da tarde. Mas como assim? Ontem mesmo era dia das crianças e na eu morria de rir me deliciando com os batutinhas, depois minha mãe fazia um lanchinho da tarde, era ainda melhor quando tinha bolo quentinho e aquele saboroso kisuco de morango. Eu lembro que naquela época eu já sentia falta de assistir dragon ball-z assim que eu chegava em casa, mas não sentia falta da quarta-série, foi bem naquela época que eu comecei a perceber que matemática definitivamente não era legal.

Em algum ponto da vida a gente deixa de ser criança, ás vezes depois de um beijinho na escola, ás vezes por obrigações adultas, ou simplesmente acontece mesmo. De repente acaba aquela vontade maluca de correr o dia todo, a gente já acha que não é tão bacana um beijo de tchau na porta da escola, não queremos mais só brincar e a nossa parte boba e irreverente diminui um pouco. Aí a gente começa a querer ser notado, pelos amigos ou por aquele menino bonitinho, e as coisas começam a ficar tão difíceis. Se você foi uma menina adolescente com certeza sabe que tudo era tão injusto. Porque nosso astro favorito não nos convidada pra sair? Porque papai nunca deixava a gente em paz? Porque mamãe sempre gritava tanto?

Mas ai num piscar de olhos esses problemas são substituídos por problemas de verdade, a escola cobra mais de você e quando tudo parece acabar, começa a faculdade. Mas já? Algumas férias atrás eu estava num vestido lindo comemorando meus 15 anos, sofrendo como num drama mexicano por não saber se aquele moreno lindo e sem jeito estava mesmo me encarando... Eu já achava tao complicado decorar os passos do balé, agora preciso decorar datas de vencimentos do cartão de crédito e calcular qual o preço do arroz mais barato nesses dez mercados que eu fui, ufa. Parece até que foi semana passada em que eu tirava férias com a família, e num momento perfeito, o tempo parava só pra mim, como num filme de romance, e eu podia perceber os olhos dos meus pais brilhando de felicidade, e naquele momento, aqueles breves 5 segundos eu era a adolescente mais feliz do mundo. Não faz nem um mês que eu corria pra cantar a música dos bananas de pijamas, não foi ontem mesmo que eu caí tentando aprender andar de bicicleta? Parece que não né?

 Eu desejei tanto ser adulta e pagar minhas contas e agora estou aqui, comprando roupas numa seção tão monocromática e decidindo qual o melhor sabão em pó. Ai essa vida, a gente mal pisca e aquele sorriso já é passado... mas eu não estou reclamando, longe de mim, estou é muito feliz. Eu não posso assistir os Batutinhas na sessão da tarde, mas posso ir ao cinema sozinha, isso mesmo SO-ZI-NHA, alou Tereza de 13 anos que amava filmes mas não podia sair, olha eu aqui podendo escolher um filme de terror e ver sem pedir permissão pro papai! Eu até não posso brincar de elástico todo dia, mas tenho a total liberdade de ir num bar e conhecer adultos novos, com histórias e alegrias diferentes.

Será que ser crescer é isso? Se alegrar de ser o próprio dono? Decidir como resolver todos os perrengues da vida e marcar o médico sem ninguém mandar? Pode até ser, mas isso não nos impede de ligar pra mamãe e perguntar se essa carne é ou não de cozinhar, aliás, o que é coxão duro e patinho? Com certeza a eu de 6 anos iria rir muito ao descobrir que ela comeria uma carne com nome tão engraçado... e sabe como eu sei disso? porque eu ainda guardo um pouco daquela alegria, eu ainda choro copiosamente ao ver um filme romântico em que o casal se separa, mesmo eu sabendo que depois eles vão ficar juntos. eu ainda me meleco na hora de comer sorvete, eu ainda idolatro certos cantores, e fico com vergonha na frente de estranhos, e sinceramente, nem gostava tanto da sessão da tarde, afinal, a globo sempre repetia a lagoa azul.






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